MDS-UPDRS III: avaliação dos sintomas motores na doença de Parkinson
MDS-UPDRS III: avaliação dos sintomas motores na doença de Parkinson
A avaliação fisioterapêutica da pessoa com doença de Parkinson precisa ir além de uma observação isolada. É importante registrar, de maneira organizada, como se encontram a fala, a expressão facial, a rigidez, a velocidade dos movimentos, o tremor, a postura, o equilíbrio, a marcha e outras manifestações motoras que podem interferir na autonomia e na segurança do paciente.
A MDS-UPDRS, revisão patrocinada pela International Parkinson and Movement Disorder Society, é uma das principais escalas utilizadas para avaliar diferentes aspectos da doença de Parkinson. Sua Parte III, denominada Exame Motor, permite observar e graduar de forma padronizada os sinais motores apresentados durante a avaliação.
Na fisioterapia, a MDS-UPDRS III pode contribuir para a identificação das principais limitações motoras, para o planejamento do cuidado e para a comparação da condição do paciente em diferentes momentos do acompanhamento.
Manual oficial da MDS-UPDRS
O que é a MDS-UPDRS?
A sigla MDS-UPDRS corresponde a Movement Disorder Society–Sponsored Revision of the Unified Parkinson’s Disease Rating Scale, ou revisão patrocinada pela Sociedade de Distúrbios do Movimento da Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson.
A escala não se limita ao exame motor. Ela é composta por quatro partes complementares, que analisam manifestações motoras e não motoras, experiências da vida diária e complicações relacionadas ao tratamento.
Experiências não motoras da vida diária.
Experiências motoras da vida diária.
Exame motor realizado por um avaliador capacitado.
Complicações motoras relacionadas ao tratamento.
A versão oficial em português passou por um processo formal de tradução, pré-teste e validação envolvendo falantes de português e equipes do Brasil e de Portugal. Esse processo contribui para que os itens sejam compreendidos e aplicados de maneira mais consistente no contexto clínico.
Por que a MDS-UPDRS III é importante?
A Parte III ajuda a quantificar o comprometimento motor observado no momento da avaliação. Em vez de registrar apenas que o paciente apresenta tremor, lentidão ou alteração da marcha, o avaliador utiliza critérios definidos para graduar a intensidade dessas manifestações.
Entre os aspectos avaliados estão a fala, a mímica facial, a rigidez, os movimentos repetitivos das mãos e dos pés, a capacidade de levantar-se da cadeira, a marcha, o bloqueio da marcha, a estabilidade postural, a postura, a bradicinesia e diferentes características do tremor.
Quando a avaliação é repetida com critérios semelhantes, os resultados podem contribuir para o acompanhamento da evolução clínica e para a identificação de mudanças nos sintomas motores ao longo do tempo. A pontuação, entretanto, não deve ser interpretada isoladamente: ela precisa ser relacionada à história clínica, às atividades funcionais, às quedas, às condições de saúde e às necessidades individuais do paciente.
Importante: a MDS-UPDRS não substitui a avaliação fisioterapêutica completa. Ela funciona como um instrumento complementar para organizar informações e tornar o acompanhamento mais objetivo.
Avaliação nos períodos ON e OFF da levodopa
Na doença de Parkinson, a intensidade dos sintomas motores pode variar de acordo com a resposta à medicação. Por esse motivo, o registro do estado medicamentoso durante a aplicação da MDS-UPDRS III é uma informação relevante.
Período ON
Corresponde ao período em que o paciente apresenta benefício clínico mais evidente após a medicação, podendo demonstrar maior facilidade para iniciar e executar movimentos.
Período OFF
Corresponde ao período em que o efeito da medicação está reduzido ou menos evidente, com possível intensificação da lentidão, da rigidez, do tremor ou de outras dificuldades motoras.
A comparação entre avaliações realizadas nos períodos ON e OFF pode auxiliar na observação da responsividade à levodopa. Para que essa comparação seja útil, é necessário registrar a medicação utilizada, o horário da última dose e o tempo transcorrido até a avaliação.
Essa análise pode ser importante no acompanhamento clínico e também em avaliações realizadas antes e depois de intervenções como a estimulação cerebral profunda, conhecida pela sigla DBS. A interpretação deve ser feita pela equipe responsável, considerando o quadro completo do paciente.
Quais aspectos motores são observados?
- linguagem falada e intensidade da voz;
- expressão facial e redução da mímica facial;
- rigidez no pescoço e nos membros;
- destreza e velocidade dos movimentos das mãos;
- agilidade dos movimentos dos pés e das pernas;
- capacidade de levantar-se da cadeira;
- marcha e necessidade de dispositivos ou auxílio;
- congelamento ou bloqueio da marcha;
- estabilidade postural e resposta ao teste de retropulsão;
- postura corporal;
- bradicinesia ou lentidão global dos movimentos;
- tremor postural, cinético e de repouso;
- presença de discinesias durante a avaliação.
A análise conjunta desses componentes ajuda a compreender de que maneira os sinais motores repercutem na mobilidade, no equilíbrio, na marcha, nas transferências e na realização das atividades do cotidiano.
Estadiamento da doença de Parkinson: Hoehn e Yahr
O formulário apresentado também inclui o estadiamento de Hoehn e Yahr, utilizado para classificar a evolução da doença de Parkinson de acordo com a distribuição dos sintomas, a presença de instabilidade postural e o grau de independência funcional.
A classificação progride desde a ausência de sinais clínicos registrados no estágio zero até condições de maior comprometimento funcional. Embora seja útil para representar o estágio global da doença, essa classificação não substitui a análise detalhada das manifestações motoras e das necessidades de cada pessoa.
UPDRS III – Exame Motor
Para aplicação clínica oficial, capacitação e interpretação da MDS-UPDRS, recomenda-se consultar o manual, os materiais de treinamento e as regras de utilização disponibilizados pela International Parkinson and Movement Disorder Society.
The MDS-sponsored Revision of the Unified Parkinson’s Disease Rating Scale
UPDRS III = EXAME MOTOR
Paciente:
Tempo de Diagnóstico:
Acompanhante:
Medicação: ( ) ON ( ) OFF
Se sim, minutos desde a última dose de Levodopa?
1. Linguagem falada: ( )
Escutar a fala espontânea do paciente.
0 = Normal / 1 = Leve perda de expressão, dicção e/ou volume da voz / 2 = Monótona, arrastada, mas compreensível, alteração moderada / 3 = Alteração marcada, difícil de entender / 4 = Ininteligível
2. Expressão facial: ( )
Observar 10 segundos em repouso, sem falar e também enquanto fala.
0 = Normal / 1 = Hipomimia superior da face com diminuição do piscar de olhos / 2 = Inexpressividade inferior da face, mas sem afastamento dos lábios / 3 = Afastamento dos lábios quando a boca em repouso, por curto tempo / 4 = Lábios afastados quando a boca em repouso, por longo tempo.
3. Rigidez Pescoço ( ) / MSD ( ) / MSE ( ) / MID ( ) / MIE ( )
Movimentos passivos e lentos. Se não for detectada rigidez, usar manobra de ativação.
0 = Ausente / 1 = Rigidez apenas com manobra de ativação 2 = Rigidez detectada, mas ADM passiva é facilmente alcançada 3 = ADM passiva total alcançada com esforço 4 = ADM total passiva não é alcançada
4. Bater dos Dedos da Mão: Pinça MSD ( ) / MSE ( )
Teste unilateral. Tocar o indicador no polegar 10 vezes. O mais rápido e amplo possível.
= Sem problemas / 1 = Uma ou duas interrupções, lentidão mínima, hesitação do movimento, amplitude diminui no fim das repetições / 2 = 3 a 5 interrupções, lentidão ligeira, Amplitude diminui no meio das repetições / 3 = mais de 5 interrupções, Lentidão Moderada, Amplitude diminui após primeiro movimento / 4 = Não consegue executar devido as interrupções ou lentidão.
5. Movimento das mãos MSD ( ) / MSE ( )
Teste unilateral. Braço fletido nível do cotovelo. Mão virada para o avaliador. Abrir e fechar a mão 10 vezes. O mais rápido e amplo possível.
0 = Sem problemas / 1 = Uma ou duas interrupções, lentidão mínima, hesitação do movimento, amplitude diminui no fim das repetições / 2 = 3 a 5 interrupções, lentidão ligeira, Amplitude diminui no meio das repetições / 3 = mais de 5 interrupções, Lentidão Moderada, Amplitude diminui após primeiro movimento / 4 = Não consegue executar devido as interrupções ou lentidão.
6. Movimento de Pronação Supinação das Mãos MSD ( ) / MSE ( )
Teste unilateral. Braço estendido, virar palma da mão pra cima e pra baixo 10 vezes. O mais rápido e amplo.
0 = Sem problemas / 1 = Uma ou duas interrupções, lentidão mínima, hesitação do movimento, amplitude diminui no fim das repetições / 2 = 3 a 5 interrupções, lentidão ligeira, Amplitude diminui no meio das repetições / 3 = mais de 5 interrupções, Lentidão Moderada, Amplitude.
7. Bater dos Dedos dos Pés MID ( ) / MIE ( )
Teste unilateral. Calcanhar no chão. Tocar com os dedos 10 vezes o chão. O mais rápido e amplo.
0 = Sem problemas / 1 = Uma ou duas interrupções, lentidão mínima, hesitação do movimento, amplitude diminui no fim das repetições / 2 = 3 a 5 interrupções, lentidão ligeira, Amplitude diminui no meio das repetições / 3 = mais de 5 interrupções, Lentidão Moderada, Amplitude diminui após primeiro movimento / 4 = Não consegue executar devido as interrupções ou lentidão.
8. Agilidade das Pernas MID ( ) / MIE ( )
Teste unilateral. Colocar o pé no chão, levantá-lo e batê-lo no chão 10 vezes. O mais rápido e amplo.
0 = Sem problemas / 1 = Uma ou duas interrupções, lentidão mínima, hesitação do movimento, amplitude diminui no fim das repetições / 2 = 3 a 5 interrupções, lentidão ligeira, Amplitude diminui no meio das repetições / 3 = mais de 5 interrupções, Lentidão Moderada, Amplitude diminui após primeiro movimento / 4 = Não consegue executar devido as interrupções ou lentidão
9. Levantar-se da Cadeira ( )
1º: 3 tentativas com os braços cruzados no peito, costas no encosto.
2º: 1 tentativa com os braços cruzados no peito, costas distante do encosto.
3º: 3 tentativas utilizando as mãos da cadeira como suporte para levantar.
0= Levanta-se na primeira tentativa sem hesitar / 1= Necessário mais de uma tentativa ou afastando as costas do encosto / 2= Levanta-se utilizando braços da cadeira sem esforço / 3= Levanta-se utilizando braços da cadeira com esforço, tende a cair, mas levanta sem ajuda / 4 = Incapaz de levantar-se sem ajuda.
10. Marcha ( )
Andar 10 metros (30 passos). Pct caminha para longe e depois em direção ao avaliador.
0= Normal / 1= Independente com mínima alteração / 2= Independente com alteração substancial / 3 = Auxílio para marcha. Muleta, bengala ou andador / 4= Marcha apenas com ajuda de outra pessoa.
11. Freezing. Bloqueio da Marcha ( )
Enquanto avalia a marcha, avalie também a presença de bloqueios.
0= Normal / 1= Uma interrupção no inicio ou curva. Sem bloqueios em linha reta / 2= Mais de uma interrupção no inicio ou curva. Sem bloqueios em linha reta / 3= Bloqueia uma vez na marcha em linha reta / 4= Bloqueia duas ou mais vezes na marcha em linha reta.
12. Estabilidade Postural ( )
Teste a retropulsão. Posicione-se atrás do pct e puxe de forma rápida e forte o ombro.
0= Estabiliza-se sem ajuda com um ou dois passos / 1= Estabiliza-se sem ajuda com três a cinco passos / 2= Estabiliza-se sem ajuda com mais de cinco passos / 3 = Mantem-se de pé, mas necessita ajuda para não cair / 4 = Muito instável
13. Postura ( )
Coletar dados durantes a marcha e o teste sentar e levantar da cadeira. Corrija postura e observe.
0= Normal / 1= Não completamente ereto, mas normal para um idoso / 2= Evidente flexão, mas consegue corrigi-la / 3= Postura encurvada, não consegue corrigi-la / 4= Flexão, escoliose ou inclinação extremamente anormal.
14. Espontaneidade Global. Bradicinesia Corporal ( )
Combine as informações coletadas sobre hesitação, movimentos espontâneos, lentidão, amplitudes, e gesticulação.
0= Normal / 1= Lentidão global discreta / 2= Lentidão global ligeira / 3= Lentidão global moderada / 4= Lentidão global grave.
15. Tremor Postural das mãos MSD ( ) / MSE ( )
Pct estender braços em frente do corpo, palma das mãos virada para baixo. Punho reto. Observe por 10 segundos.
0= Sem tremor / 1= Tremor menor que 1 cm de amplitude / 2= Tremor menor que 3 cm de amplitude / 3= Tremor menor que 10 cm de amplitude / 4= Tremor com pelo menos 10 cm
16. Tremor Cinético das mãos MSD ( ) / MSE ( )
Teste unilateral. Executar de forma lenta três manobras dedo-nariz com cada mão.
0= Sem tremor / 1= Tremor menor que 1 cm de amplitude / 2= Tremor menor que 3 cm de amplitude / 3= Tremor menor que 10 cm de amplitude / 4= Tremor com pelo menos 10 cm
17. Amplitude do Tremor de Repouso MSD ( ) / MSE ( ) / MID ( ) / MIE ( )
Pct sentado, mãos no braço da cadeira (e não no colo), pés confortáveis apoiados no chão. Observar por 10 segundos sem nenhuma instrução.
0= Sem tremor / 1= Menor que 1 cm / 2= Menor que 3 cm / 3= Menor que 10 cm / 4= Maior que 10 cm Lábio, Mandíbula ( ) 0= Sem tremor / 1= Menor que 1 cm / 2= Menor que 2 cm / 3= Menor que 3 cm / 4= Maior que 3 cm
18. Persistência do Tremor de Repouso ( )
Dados quantitativos do tremor durante todo o teste.
0= Sem Tremor / 1= Menor ou igual a 25% do teste / 2= 26% a 50% do teste / 3= 51% a 75% do teste / 4= Maior que 75% do teste
19. Impacto das Discinesias nas pontuações da avaliação
Estiveram presentes discinesias (coreia ou distonia) durante a avaliação? Sim ( ) / Não ( )
Se sim, estes movimentos interferiram nas pontuações? Sim ( ) / Não ( )
20. Estadiamento de Hoehn e Yahr ( )
0= Assintomático / 1= Unilateral / 2= Bilateral sem alteração de equilíbrio / 3= Instabilidade postural, mas independente. Necessita de ajuda para o teste do puxão / 4= Incapacidade grave, mas consegue andar ou ficar de pé sem ajuda / 5 = Confinado a cadeira de rodas ou acamado.
A pontuação precisa ser interpretada com cuidado
Uma pontuação mais elevada indica maior comprometimento nos itens avaliados, mas o número final não explica sozinho todas as dificuldades enfrentadas pelo paciente. Duas pessoas com pontuações semelhantes podem apresentar necessidades funcionais, rotinas, respostas à medicação e riscos de queda diferentes.
Também é necessário considerar se a avaliação ocorreu no período ON ou OFF, o horário da última dose de levodopa, a presença de dor, fadiga, alterações cognitivas, medo de cair, uso de dispositivos auxiliares e outras condições clínicas.
Alguns componentes, como o teste de estabilidade postural, envolvem risco de desequilíbrio e devem ser realizados por profissional capacitado, em ambiente seguro e com proteção adequada. O instrumento não deve ser utilizado como teste doméstico ou como forma de autodiagnóstico.
Como a avaliação auxilia a fisioterapia na doença de Parkinson?
Os resultados do exame motor podem ajudar o fisioterapeuta a identificar quais manifestações precisam receber maior atenção durante o acompanhamento. Alterações na marcha, episódios de congelamento, instabilidade postural, rigidez, bradicinesia e dificuldade para levantar-se da cadeira podem repercutir diretamente na mobilidade e na independência.
A partir da avaliação individual, o acompanhamento fisioterapêutico pode trabalhar aspectos como mobilidade, transferências, equilíbrio, marcha, força, condicionamento e estratégias para tornar as atividades diárias mais seguras. As condutas precisam ser adaptadas ao estágio da doença, à resposta medicamentosa, às condições clínicas e aos objetivos de cada paciente.
A reaplicação da escala em momentos definidos pode complementar a observação clínica e ajudar a documentar mudanças. Entretanto, a pontuação deve ser analisada em conjunto com medidas funcionais, relatos do paciente, informações dos familiares e avaliação da equipe multiprofissional.
Fisioterapia para doença de Parkinson em Fortaleza
Se você busca fisioterapia em Fortaleza para uma pessoa com doença de Parkinson, uma avaliação individualizada pode ajudar a compreender alterações de marcha, equilíbrio, postura, mobilidade, rigidez, lentidão dos movimentos e risco de quedas.
Meu trabalho busca integrar avaliação motora, análise funcional e cuidado acolhedor, considerando a rotina, o estágio da doença, a resposta à medicação e os objetivos de cada pessoa. A MDS-UPDRS III pode fazer parte desse processo, juntamente com outros instrumentos e observações clínicas.
Saiba que eu posso lhe ajudar a compreender melhor as possibilidades da fisioterapia na doença de Parkinson. Conte comigo para esclarecer suas dúvidas e conversar sobre as necessidades do paciente e de sua família.

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