Do Programa de Formação do Hospital Sarah à Pesquisa em Estimulação Cerebral Profunda na Doença de Parkinson




Jânio César Martins Filho, fisioterapeuta, participou do Programa de Formação Extracurricular do Hospital Sarah Kubitschek (980h), cumprindo integralmente a carga horária. Ao concluir o programa, no início de março de 2025, iniciou a Residência em Traumatologia e Ortopedia da ESP/CE. Durante essa experiência, teve contato direto com pacientes submetidos à Estimulação Cerebral Profunda (DBS), despertando seu interesse em pesquisa. Esse envolvimento levou ao desenvolvimento de seu trabalho de conclusão acadêmica, que foi apresentado na XVI Jornada Científica Sarah Fortaleza (2024) e no 14º Congresso Internacional de Fisioterapia. O estudo investigou o impacto da DBS na Doença de Parkinson, e a seguir segue o resumo expandido do trabalho, detalhando metodologia, resultados e conclusões.




Resumo expandido do trabalho:

Introdução
A Doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, trazendo graves limitações na vida dos pacientes. Sua causa é idiopática, embora estudos apontem possíveis associações com pesticidas ou efeitos protetores da nicotina, sem relação significativa comprovada. Os sintomas cardeais incluem rigidez (89–99%), bradicinesia (77–98%), tremor em repouso (70–100%), dor (70%), apatia (50%) e ansiedade (40%). A instabilidade postural é responsável por cerca de 70% das quedas, enquanto alterações na fala e lentificação são frequentemente relatadas como sintomas incômodos.

O Parkinsonismo idiopático, foco deste estudo, é a forma mais comum, presente em 78% dos pacientes, caracterizando-se pela degeneração progressiva da dopamina no mesencéfalo, afetando a modulação do movimento. O tratamento medicamentoso é fundamental, mas a longo prazo, o uso de L-dopa pode causar discinesias graves ou redução progressiva da eficácia, sendo a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) indicada nos casos avançados. Os principais alvos são o núcleo subtalâmico (STN), o globo pálido interno (GPi) e o núcleo pedunculopontino (PPN), com escolha do alvo dependendo do perfil de sintomas do paciente.

A DBS é um procedimento recente e ainda escassamente estudado quanto aos efeitos em sintomas não motores, podendo influenciar equilíbrio, humor, cognição e comportamentos. Para avaliação dos sintomas motores, utiliza-se a MDS-UPDRS III, enquanto o estadiamento de Hoehn e Yahr classifica a progressão da doença.


Metodologia
A pesquisa foi realizada entre março e abril de 2024 como revisão bibliográfica nas bases PubMed, SciELO e PEDro, utilizando os descritores: "Parkinson", "Deep Brain Stimulation" e "Physiotherapy". Foram incluídos artigos completos em inglês e português, abrangendo ensaios clínicos, meta-análises e revisões dos últimos dez anos.


Resultados

  • Kanh et al. (2019): 57 pacientes (Hoehn-Yahr médio 2,9) tiveram redução de 42% na dose diária de levodopa e melhora de 48–54% nos sintomas motores após DBS do núcleo subtalâmico.

  • Zhang et al. (2021): Pacientes em estágio avançado (Hoehn-Yahr 4–5) apresentaram redução de 50% na medicação e melhora de 43% nos sintomas motores incapacitantes após DBS, mostrando eficácia em fases avançadas.

  • Roper et al. (2016): Meta-análise de 27 ensaios clínicos mostrou aumento significativo na velocidade da marcha (80–110%) após DBS, independente do estado ON/OFF da medicação.

  • Lee e Pak (2023): Comparação entre Parkinson de início jovem e tardio mostrou eficácia similar da DBS na pontuação da UPDRS III, sem diferenças estatisticamente significativas.


Conclusão
A DBS demonstrou melhorias significativas em diferentes estágios da Doença de Parkinson, reduzindo a necessidade de medicação e melhorando sintomas motores, inclusive em pacientes avançados. Estudos indicam ganhos consistentes na marcha e mobilidade, enquanto a eficácia da DBS é similar independentemente da idade de início da doença. Apesar de evidências promissoras, pesquisas adicionais em fisioterapia são necessárias para explorar os efeitos sobre sintomas motores específicos e a integração de intervenções para prevenção de quedas e promoção de atividade física.




Comentários

Jânio César Martins Filho, fisioterapeuta responsável pelo Fortaleza Fisioterapia

Olá, eu sou Jânio César.

Fisioterapeuta · CREFITO 426473-CE

Sou fisioterapeuta e acredito que a reabilitação deve unir ciência, cuidado individualizado e compreensão das necessidades de cada pessoa.

Atualmente, estou concluindo a Residência Multiprofissional em Traumatologia e Ortopedia pela Escola de Saúde Pública do Ceará , com experiências em hospitais, ambulatórios e serviços especializados de reabilitação.

Também participei, durante um ano e meio, do Programa de Formação Extracurricular do Hospital Sarah Kubitschek , experiência que contribuiu significativamente para minha formação em reabilitação neurológica, funcional e baseada em evidências.

Minha atuação percorre diferentes áreas da fisioterapia, da assistência hospitalar à neurologia, da ortopedia ao esporte, sempre com o mesmo propósito: ajudar pessoas a recuperar movimento, independência e qualidade de vida.

Áreas de atuação e experiência

Fisioterapia Hospitalar

Urgência e emergência
Enfermarias clínicas e cirúrgicas
Mobilização precoce
Reabilitação funcional hospitalar

Traumatologia, Ortopedia e Esporte

Dor musculoesquelética
Reabilitação da coluna, do ombro e do joelho
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Recuperação funcional de atletas e praticantes de atividade física
Recovery esportivo
Retorno seguro às atividades físicas e esportivas

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Criei o Fortaleza Fisioterapia porque acredito que informação de qualidade também faz parte do cuidado. Neste espaço, compartilho conteúdos sobre movimento, dor, funcionalidade, prevenção, reabilitação e qualidade de vida de maneira clara e responsável.

Cada pessoa possui uma história, uma necessidade e um caminho próprio. Por isso, a fisioterapia não deve ser tratada como uma receita pronta, mas como um processo construído com avaliação, escuta, ciência e cuidado.

Jânio César Martins Filho
Fisioterapeuta

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