Educação em saúde e mobilização precoce na fisioterapia hospitalar
Compreender o próprio tratamento também faz parte do processo de reabilitação.
Quando pensamos em fisioterapia hospitalar, é comum imaginar apenas exercícios, mobilizações e o momento de retirar o paciente do leito. Entretanto, algumas etapas da recuperação exigem restrições importantes, e respeitar essas orientações pode ser essencial para proteger uma cirurgia e favorecer uma reabilitação segura.
Em situações como essa, a educação em saúde assume um papel fundamental. Explicar ao paciente o que aconteceu, mostrar os exames e ajudá-lo a compreender os motivos de cada conduta pode aumentar sua participação e melhorar sua adesão ao tratamento.
O contexto do atendimento
Durante minha atuação na Residência Multiprofissional em Trauma e Ortopedia, acompanhei um paciente que apresentava uma lesão na pelve associada a uma lesão no fêmur.
Essa restrição também precisava considerar as características individuais do paciente, incluindo seu sobrepeso, pois a descarga de peso e as forças exercidas sobre a região operada poderiam comprometer a segurança dessa fase inicial da recuperação.
A educação em saúde como parte do tratamento
Durante o atendimento, percebi que o paciente apresentava dificuldade para compreender por que ainda precisava permanecer acamado e por que não poderia sentar naquele momento.
Por que mostrar o exame ao paciente?
O exame de imagem pode ajudar o paciente a visualizar aquilo que nem sempre consegue compreender apenas com palavras. Ao observar a cirurgia e os materiais utilizados, ele pode entender melhor as orientações, os cuidados necessários e os limites temporários da recuperação.
Essa conversa não substitui as orientações médicas nem a avaliação individual, mas pode tornar o paciente mais consciente e participativo durante sua reabilitação.
Mobilização precoce não significa desrespeitar restrições
O fato de o paciente ainda não poder sentar não significava que ele deveria permanecer completamente imóvel.
Dentro das limitações estabelecidas pela equipe e respeitando a condição clínica, foram realizados exercícios e atividades de fortalecimento no próprio leito, com o objetivo de preservar a funcionalidade e reduzir os efeitos negativos do repouso prolongado.
A mobilização precoce precisa ser adaptada ao quadro de cada paciente. Para algumas pessoas, pode incluir sentar, ficar em pé ou caminhar. Para outras, a intervenção inicial pode começar com movimentos dos membros, exercícios circulatórios, contrações musculares e fortalecimento realizado no leito.
Por que manter o corpo em movimento?
Quando realizada com segurança e de acordo com as restrições clínicas, a movimentação pode contribuir para:
- preservar a força muscular durante o período de internação;
- reduzir a perda de mobilidade associada ao repouso prolongado;
- estimular a circulação sanguínea;
- diminuir os efeitos do imobilismo;
- auxiliar na prevenção de complicações associadas à permanência no leito;
- preparar o paciente para as etapas seguintes da reabilitação;
- favorecer maior independência funcional ao longo da recuperação.
Entre as complicações associadas à imobilidade está o aumento do risco de formação de trombos. Entretanto, a prevenção da trombose não depende apenas dos exercícios. Ela pode envolver também medicamentos, medidas de compressão e outras condutas definidas pela equipe responsável.
Por isso, cada intervenção fisioterapêutica deve respeitar o diagnóstico, o procedimento cirúrgico, as orientações médicas e as condições gerais do paciente.
A importância de guardar os exames do pós-operatório
Uma orientação importante para pacientes e familiares é solicitar e guardar os exames de imagem realizados durante a internação, inclusive quando o atendimento ocorre pelo Sistema Único de Saúde ou em hospitais particulares.
O raio-X do pós-operatório pode oferecer informações relevantes para a continuidade da fisioterapia após a alta. Ele ajuda o profissional que dará seguimento ao caso a compreender melhor a lesão, o procedimento realizado, a posição dos materiais de fixação e as necessidades específicas da reabilitação.
Sempre que possível, guarde também relatórios médicos, prescrições, orientações de descarga de peso e documentos de alta. Essas informações podem contribuir para uma transição mais segura entre o hospital e os serviços de reabilitação.
Reabilitar também é explicar, ouvir e acolher
Na fisioterapia hospitalar, o exercício é apenas uma parte do cuidado. Também precisamos ouvir as dúvidas, compreender os receios e ajudar o paciente a participar ativamente de sua recuperação.
Quando o paciente entende por que determinada atividade pode ser realizada e por que outra ainda precisa esperar, o tratamento se torna mais consciente, colaborativo e humanizado.
A educação em saúde não deve ser utilizada para impor condutas, mas para construir entendimento. O paciente precisa ter espaço para perguntar, expressar inseguranças e compreender que as restrições podem ser temporárias e fazer parte de um plano maior de recuperação.
Fisioterapia Hospitalar e Ortopédica em Fortaleza
Se você busca fisioterapia em Fortaleza para recuperação após fraturas, cirurgias ortopédicas, lesões de pelve ou de fêmur, saiba que a reabilitação precisa considerar o procedimento realizado, as restrições médicas e as necessidades funcionais de cada pessoa.
A fisioterapia hospitalar e a fisioterapia em trauma e ortopedia podem contribuir para preservar movimentos, força, circulação e funcionalidade durante a internação, além de preparar o paciente para continuar sua recuperação após a alta.
Cada caso deve ser avaliado individualmente. Para esclarecer dúvidas e conhecer melhor meu trabalho em fisioterapia e reabilitação, conte comigo e entre em contato.


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